Saúde Pública


No processo de eliminação de resíduos podem ser emitidos para a atmosfera determinados componentes, que poderão afectar não só o próprio ambiente como também a saúde das populações. Sendo a saúde e o bem estar das populações uma prioridade, vamos aprofundar um pouco mais os efeitos de alguns poluentes.
Embora o nível de exposição a agentes químicos de populações próximas de unidades de tratamento de resíduos tenha em regra, sido extremamente baixo para causar efeitos tóxicos agudos, a possibilidade de ocorrência de efeitos carcinogénicos e outros de carácter crónico , tem sido motivo de preocupação.
Admite-se hoje a existência de 26 agentes químicos que isolados ou em grupo são conhecidos como carcinogénicos humanos.
Outras 600 substâncias têm idênticas propriedades para animais de laboratório. Cerca de 2000 são agentes mutagénicos reconhecidos , enquanto subsistem mais de 50 mil sem qualquer estudo sobre a sua toxidade.
Por conseguinte, não existem, bases sólidas para garantir ao público uma absoluta segurança.
Por outro lado, os estudos realizados avaliam "a posteriori " as diversas consequências, sendo difícil pré-definir o impacto que terá numa população o tratamento por co-incineração dos resíduos.
Nos estudos realizados, referentes às implicações para a saúde pública do tratamento ou não dos diversos tipos de resíduos, torna-se impossível isolar os malefícios consequentes da co-incineração, dos resultantes das industrias, hábitos sociais (ex.: tabagismo ) e demais focos de poluição.

Poluentes e efeitos

Encontram-se identificadas 25 substâncias que são consideradas contaminantes principais, expelidas no processo de co-incineração: antimónio, bário, prata, tálio, cloreto de hidrogénio, benzo(a)pireno, fluretos, ácido sulfúrico, PCDD/PCDF, mercúrio, arsénio, berílio, cádimo, crómio, cloreto de hidrogénio anual, clorofómio, PCBs, "2,3,7,8-TCDD", chumbo dióxido de enxofre, óxidos de nitrogénio e monóxido de carbono.

Caracterização dos Efeitos dos Principais Poluentes

Muitos dos metais pesados resultantes da incineração dos diversos tipos de resíduos têm efeitos bem definidos sobre a saúde. Muitos são carcinogénicos, tendo ainda um vasto, espectro de efeitos neurológicos, hepáticos, renais, hematopoiéticos e outros, alguns deles devastadores para os seres humanos e outros seres.

O arsénio, cádmio e berílio são metais carcinogénicos; o arsénio, cádmio, chumbo, mercúrio e vanádio são neurotóxicos; outros são tóxicos agudos para a vida aquática (ex : zinco, cobre e mercúrio).
Dada a sua natureza elementar e por isso permanente, os metais pesados acumulam-se nos diversos compartimentos do ambiente e do organismo humano. Por esse motivo a libertação prolongada mesmo em pequenas doses, aumenta de modo substancial o nível desses metais.

Poluente Efeitos
Chumbo (Pb) Neurotoxina que actua mesmo em doses muito baixas. Provavelmente os seus efeitos no desenvolvimento do feto não possuem qualquer limiar. Afecta o desenvolvimento psico-motor para valores tão baixos como 10 g/dl.
Cádmio (Cd) Neurotoxina, podendo provocar também lesões pulmonares graves (efisemas). É ainda um agente mutagénico e carcinogénico, podendo se igualmente tóxico para o feto. O chumbo e o cádmio podem actuar de modo sinérgico como toxinas para o tecido ósseo.
Mercúrio (Hg) Nas formas orgânicos é também neurotóxico, em particular para o feto.
Arsénio (As) É um carcinogénico humano e animal, para além de ser neurotóxico.
Tálio (Ti) e Gálio (Ga) Tóxicos, actuando no processo da reprodução
Monóxido de carbono (CO) Quando inalado em quantidades elevadas provoca numerosos disturbios, levando à morte

 

Dioxinas

As dioxinas são extremamente tóxicas e os seus efeitos a longo prazo permanecem desconhecidos . Experiências revelaram que são compostos carcinogénicos, tendo causado deficiências de nascimento em animais de laboratório . Em 1991, um estudo do Nacional Institute for Ocupational Safety and Health, indicou um aumento da incidência de cancro em cerca de 500 vezes, nos ratos de laboratório expostos a dioxinas .