Materiais orgânicos degradáveis
Os materiais orgânicos passíveis de ataques bacterianos (biodegradáveis) constituem a maior parte do volume dos despejos em regiões costeiras, estuários e leitos (poluição orgânica).
Estes materiais dividem-se principalmente em:
- resíduos agrícolas, especialmente fertilizantes(podem levar à eutrofização), insecticidas e dejectos animais (fosfatos, nitratos e silicatos) - o consumo de água com uma elevada percentagem de nitratos pode originar metaemoglobina infantil (oxidação incompleta da hemoglobina);
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- água poluída por resíduos urbanos
(www.mediacolors.ch)
- resíduos urbanos - que podem conter bactérias e vírus (poluição biológica), podem conter ainda detergentes que além de tóxicos possuem fósforo, um nutriente que quando em excesso favorece a eutrofização;
- indústria situada na faixa costeira
(www.funkandwagnalls.com)
- resíduos industriais - substâncias ácidas, sulfuretos, amoníaco, etc., provenientes da produção industrial paralisam as reacções bioquímicas dos peixes e provocam a morte do animal;
- resíduos derivados do processamento de alimentos (ex.: matadouros, frigoríficos e usinas de açúcar, destilarias e fábricas de bebidas fermentadas);
- polpa de papel moído, incluindo uma grande variedade de grandes moléculas que são relativamente instáveis e que se partem facilmente;

- derrame de óleo
(www.funkandwagnalls.com)
- resíduos petrolíferos e derrame - são basicamente hidrocarbonetos e derivam do tráfego marítimo, descargas de navios, exploração de poços de petróleo; limpeza dos tanques dos petroleiros e acidentes com os mesmos, refinarias e instalações petroquímicas costeiras, resíduos urbanos, carreamento por águas das chuvas e dos rios, infiltrações naturais e precipitação atmosférica.
Os produtos orgânicos mais frequentes são: os aminoácidos, os ácidos gordos, ésteres, detergentes anónimos, aminas, etc.
Os componentes inorgânicos encontram-se sob a forma de iões: sódio, cálcio, mangânes, cloro, nitrato, bicarbonato, sulfato e fosfato.
A degradação bacteriana é um processo oxidante em que as bactérias aeróbias utilizam o oxigénio dissolvido na água na redução dos compostos orgânicos em compostos inorgânicos estáveis (ex.: dióxido de carbono, água e amónia).
As bactérias anaeróbias têm a capacidade de oxidar moléculas orgânicas sem necessidade de utilizar oxigénio, no entanto os seus produtos finais são compostos como o sulfito de hidrogénio e o metano que para além de serem tóxicos para os organismos aquáticos, possuem um odor horrível.
Se a taxa de introdução de matéria orgânica superar a taxa de degradação bacteriana, dar-se-á uma acumulação de matéria orgânica que beneficiará as plantas, conduzindo ao aumento de fito e zooplâncton, beneficiando assim muitas outras cadeias alimentares. Contudo se a acumulação de nutrientes for excessiva, dar-se-á a eutrofização. Esta associa-se, no mar, à maré vermelha, isto é, a abundância de fitoplâncton leva a que o mar ganhe uma coloração avermelhada. Esta maré deve-se a uma desoxigenação, derivada de uma acção bacteriana intensa. Estes factores levam à poluição das águas das praias e de moluscos, o que pode causar doenças como hepatite ou conjuntivite. Por vezes, as marés vermelhas podem tornar-se tóxicas e letais para o Homem.
A acumulação de matéria orgânica assim como a desoxigenação pode ter fortes impactos sobre a fauna e a flora. Resultados evidentes são por exemplo, o aparecimento nas praias de algas verdes (devido ao aumento de nutrientes) e de plantas macroscópicas (devido à desoxigenação) que levam ao desaparecimento de algumas espécies de peixes e animais. A desoxigenação, pode no entanto ter um impacto directo sobre os animais (ex.: os peixes, que antes de morrerem aos milhares, vêm á tona tentando desesperadamente sorver o oxigénio do ar)assim, como a maré vermelha (a morte de golfinhos, botos, e baleias coincidiu, por vezes, com o descoramento de recifes de coral e com o aparecimento de enormes marés vermelhas). Na saúde pública, os efeitos estão associados à contaminação de recursos naturais e à transmissão de patogeneses como o tifo e a cólera.
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Os poluentes conservativos não são passíveis de nenhum tipo de degradação, são sim bioacumulativos e biomagnificativos. Dividem-se essencialmente em:
- metais pesados como o mercúrio, o cádmio, o chumbo e o zinco;
- hidrocarbonetos halogenados: insecticidas (DDT) e produtos industriais ( PCBs);
- radioactividade.
Metais
Constituintes naturais da água e vitais a vários organismos (a hemoglobina contém ferro; a hemocianina, cobre; e algumas enzimas, zinco). No entanto quando em elevadas concentrações estes metais podem ser tóxicos para determinados organismos. A toxicidade dos metais é de ordem inversa à sua ocorrência na natureza, isto é, o metal é tanto mais perigoso quanto menor for a sua abundância na natureza.
Parte do mercúrio que é lançado nos cursos de água é absorvido directa ou indirectamente pelas plantas e animais aquáticos, num processo denominado bioacumulação. Este processo leva à concentração crescente de mercúrio nos animais, como os peixes que iram ser consumidos pelo Homem. O mercúrio metálico provoca lesões celulares, atacando principalmente o tubo digestivo, os rins e o sistema nervoso central. A actividade bacteriana pode no entanto transformar o mercúrio metálico, em mercúrio orgânico, extraordinariamente tóxico. Este último foi o responsável, em 1956, pela morte de 46 pessoas e pela intoxicação de centenas numa vila de pescadores na baía de Minamata, no Japão.
Hidrocarbonetos Halogenados
Os, hidrocarbonetos, ao contrário dos metais, não se encontram na natureza e constituem um grande número de compostos, tais como compostos voláteis (solventes e CFCs) e os pesticidas e PCBs.
Os solventes, utilizados na indústria têxtil, não são acumulativos nos organismos aquáticos. No entanto, os CFCs causam graves danos na camada do ozono e por isso estão a ser extintos.
Os pesticidas (DDT) e os PCBs são compostos utilizados na agricultura. Estes entram no ciclo da água, podendo espalhar-se pelo mundo. São compostos insolúveis em água mas, no entanto solúveis nas gorduras, podendo assim ser encontrados nos diversos organismos.
Radioactividade
A radioactividade é um fenómeno natural, sendo a água naturalmente radioactiva. No final da Segunda Guerra Mundial, com a explosão das primeiras bombas nucleares começou a introdução de radioactividade no mar, devido a actividades humanas. Nos tempos que correm, os lixos radioactivos líquidos e sólidos das usinas nucleares e as águas de refrigeração dos reactores, são os que mais contribuem. Existem contribuições menores que são consideradas insignificantes, como as que advêm de acidentes com baterias radioactivas (plutónio); dos navios e submarinos nucleares; dos rejeitos das plataformas de petróleo; de hospitais e universidades.
As substâncias radioactivas interferem directamente nos átomos e moléculas que formam os tecidos vivos, provocando lesões celulares que podem levar ao cancro, alterações no material genético que podem acarretar mutações nas próximas gerações e modificações nas funções de certos órgãos do corpo.
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Poluentes dissipativos são os despejos industriais como resíduos de salinas e o calor dos reactores nucleares, que quando em contacto com a água perdem as suas propriedades prejudiciais. A poluição causada por este tipo de poluente restringir-se-á a uma área próxima à fonte.
As águas de resfriamento dos reactores nucleares contêm calor assim como as descargas de efluentes a altas temperatura (poluição térmica). Este calor pode fazer aumentar até 15ºC acima da temperatura ambiente. Este facto pode representar uma perda substancial de indivíduos visto que, em regiões tropicais, na altura do verão, existem muitos organismos que vivem a uma temperatura próxima do seu ponto térmico letal. Outro factor que pode levar à morte dos indivíduos é que o aumento de temperatura levar a uma ligeira desoxigenação da água, isto porque a água quente não é capaz de conter tanto oxigénio como a água fria.
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De entre os resíduos sólidos, os que mais se destacam são:
- os materiais dragados em portos, rios e canais e que estão por vezes contaminados com metais pesados, hidrocarbonetos halogenados ou óleo e que acabam por se espalhar quando lançados no meio aquático;
- partículas suspensas (poluição física) como a fuligem, libertadas das usinas a carvão;
- os plásticos e isopores, que não sendo tóxicos podem ser ingeridos por pássaros, peixes ou mamíferos acabando estes por morrer;
- entulhos provenientes de obras de engenharia;
- redes de pesca ( armadilhas fatais para golfinhos e pássaros);
- munições perdidas durante as guerras, incluindo armas químicas.